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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Três executivos da Arxo, presos na 9ª fase da Lava Jato, deixam a prisão

Juiz determinou que eles fossem soltos na noite desta segunda-feira (9).
Suspeito de ser operador do esquema continua preso na PF, em Curitiba.

Thais Kaniak Do G1 PR
Decisão da Justiça liberou os presos da Arxo nesta segunda-feira  (Foto: Reprodução/RPC) 
Decisão da Justiça liberou os presos da Arxo
nesta segunda-feira (Foto: Reprodução/RPC)
Os três executivos da empresa Arxo, presos temporariamente na 9ª fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), deixaram a carceragem na superintendência da corporação, em Curitiba, por volta das 20h30 desta segunda-feira (9). São eles: Gilson Pereira, sócio-proprietário; Sérgio Marçaneiro, diretor financeiro; e João Gualberto Pereira, um dos proprietários. Quatro pessoas foram presas nesta etapa da operação. Um deles continua preso....

O juiz federal Sérgio Moro expediu, no início desta noite, o alvará de soltura dos três. Na decisão, Moro determina o comparecimento deles a todos os atos do processo mediante intimação por qualquer meio, inclusive por telefone; que eles não deixem as respectivas residências por mais de 30 dias, nem deixem o país sem prévia autorização da Justiça. Sérgio Moro ainda diz que eles estão proibidos de manter contato ou intimidarem, direta ou indiretamente, a ex-funcionária da Arxo que é testemunha e prestou depoimento ao Ministério Público Federal (MPF).
Gilson Pereira e Sérgio Marçaneiro foram detidos na quinta-feira (5), dia em que a operação foi deflagrada. João Gualberto Pereira se apresentou na superintendência da Polícia Federal apenas na sexta-feira (6), pois estava nos Estados Unidos quando o mandado de prisão foi expedido.
A prisão temporária tem prazo de cinco dias, podendo ser prorrogada por mais cinco.
As prisões temporárias de Gilson Pereira e de Sérgio Marçaneiro venceriam nesta segunda. Já a de João Gualberto Pereira expiraria somente na terça-feira (10).
Já Mario Góes, suspeito de ser um dos operadores do esquema de pagamento de propina envolvendo a Arxo, está preso preventivamente – ou seja, sem data para ser solto. Ele se entregou à PF, na capital paranaense, no domingo (8), depois de ficar três dias foragido.
A empresa Arxo, de construção de tanques de combustíveis, tem sede em Balneário Piçarras, no Litoral Norte de Santa Catarina, é suspeita de estar envolvida em um esquema de pagamento de propina relacionada à Operação Lava Jato. Segundo a Polícia Federal, a companhia tem negócios com a BR Distribuidora.
 
João Gualberto Pereira prestou depoimento à Polícia Federal nesta segunda-feira. De acordo com Charles Zimmermman, advogado que o representa, ele negou todas as suspeitas sobre ele e disse desconhecer Góes. "Jamais houve corrupção, não houve pagamento de propina, a empresa não sonega imposto".
Os outros doiss executivos prestaram depoimento na sexta, conforme a PF.
Em depoimento prestado ao Ministério Público Federal (MPF), uma ex-funcionária da Arxo disse que Mario Góes recebeu em diversas oportunidades valores em espécie na sede da empresa. Em contrapartida, ele passava informações privilegiadas, contribuindo para que a Arxo fosse fornecedora exclusiva de determinados produtos para a Petrobras.
No dia da deflagração da operação, foram apreendidos na sede da Arxo R$ 3,186 milhões. Segundo os policiais, as notas estão divididas em reais, dólares e euros. Além do dinheiro em espécie, também foram apreendidos 518 relógios de luxo, 35 obras de arte e cinco veículos de alto valor de mercado.
Conforme o defensor, Gualberto disse à Polícia Federal que o dinheiro apreendido era uma reserva e os relógios fazem parte de uma coleção. "Todos os comprovantes serão juntados ao processo", declarou. O advogado disse ainda que Gualberto não gosta de guardar dinheiro em banco e, por isso, a quantia estava no cofre.
Em nota divulgada à imprensa, a Arxo afirma que o dinheiro encontrado no cofre da empresa seria utilizado em "pagamentos da empresa”. Charles Zimmermann, que também é procurador jurídico da companhia, disse no comunicado que todos os valores foram “contabilizados”. “Havendo indícios de fraude, o que não é o caso da Arxo, que está tudo contabilizado, é apurado o tipo de crime praticado”, destacou Zimmermann na nota.
A empresa ainda negou por meio de comunicado o pagamento de propina à Petrobras. "Nenhum membro da diretoria ou colaborador da empresa teve qualquer ligação com tratativa ou pagamento de propina à Petrobras. Da mesma forma, todos desconhecem o citado Mario Góes", informou a Arxo em nota.
Suposto operador
Nesta segunda, a advogada Livia Novak, que faz a defesa de Mario Góes, disse que o cliente nega ter cometido qualquer tipo de crime e que desconhece a empresa catarinense. Além disso, ela garantiu que Góes não conhece Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras, como aponta o Ministério Público Federal.
"Ele [Góes] vai falar assim que tivermos acesso aos autos. Posso adiantar que, com relação a qualquer contrato, qualquer relação comercial com a Arxo, isso nunca existiu", "Ele com certeza não tem nada a ver com isso", afirmou a advogada. "Não é operador." Ele prestou depoimento à PF nesta segunda-feira, segundo a defesa.
Góes tem 73 anos e trabalha com empresas de consultoria que prestam serviços para empresas contratadas pela Petrobras, de acordo com a advogada.
Conforme as alegações do Ministério Público Federal, para pedir as buscas na 9ª fase, Góes atuou como operador financeiro em nome de várias empresas contratadas pela Petrobras. Ele tratava diretamente com Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da estatal, o pagamento de propinas provenientes  de contratos firmados entre a Petrobras e essas empresas.
"Ambos se encontravam periodicamente, não só para que Mario Góes pudesse entregar a Barusco mochilas com grande valores de propina em espécie, que variavam entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, como também para que pudesse ser realizado o que Barusco designou como 'encontro de contas', ou seja, a conferência, 'contrato a contrato', dos pagamentos de propinas feitos e pendentes", diz um trecho do documento do MPF.
Pedro Barusco inclusive citou Góes na delação premiada acordada com o MPF. De acordo com o ex-gerente, Góes atuou como operador financeiro em nome de várias empresas contratadas pela Petrobras.
Lava-jato  (Foto: Editoria de Arte/G1)

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