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sábado, 8 de outubro de 2016

Cresce o número de menores no crime: são os “robozinhos”

Nos ataques a veículos e escolas nas últimas duas semanas, dos 115 autuados pela polícia, 32 eram adolescentes, recrutados por presidiários de Pedrinhas; no total, a Funac realizou 1.375 atendimentos de ressocialização este ano
Onibus queimado em São Luís por determinação de presidiários que recrutam adolescentes para o crime
Onibus queimado em São Luís por determinação de presidiários que recrutam adolescentes para o crime (Foto: Flora Dolores)
“Robozinhos dos presidiários” são como são denominados as crianças e os adolescentes que cometem ataques a coletivos e às escolas, ordenados pelos apenados do Complexo Penitenciário de Pedrinhas e integrantes de facções criminosas. Dados da polícia revelam que desde o dia 27 do mês passado até a tarde de terça-feira última, um total de 22 veículos e 12 escolas foram alvo de ataques criminosos na Região Metropolitana de São Luís. Cento e quinze pessoas suspeitas de participação nesses crimes foram autuadas, entre elas, 32 menores de idade.
As investigações sobre esses casos estão sob o comando da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic). Segundo o delegado Thiago Bardal, durante o trabalho de investigação ficou constatado de que os mandantes, presidiários de Pedrinhas, estão utilizando menores de idade, principalmente os ligados a facções criminosas....

O delegado explicou ainda que esses menores, denominados “robozinhos dos presidiários”, têm a missão de comprar o combustível e atear fogo nos locais destinados. Na maioria das vezes eles são recrutados por mulheres dos apenados.
Ato infracional
Os presidiários aproveitam a condição de que os menores de idade, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não cometem crimes, mas apenas ato infracional, e que passam internados nas unidades de ressocialização no máximo por 3 anos. “Para o código penal, o menor de 18 anos possui desenvolvimento mental incompleto, então, não pratica crime”, declarou o delegado.
Thiago Bardal explicou que dos 115 acusados que foram tirados de circulação e apresentados na sede da Seic, no Bairro de Fátima, 32 eram menores. Em uma das últimas apreensões feita por uma guarnição do Batalhão de Choque da Polícia Militar, na última terça-feira, cinco eram adolescentes que estavam em companhia de quatro adultos, identificados como João Lucas Barbosa, Matheus Magno Ferreira, João Lucas Belfort e John Thales Lopes da Paz. Eles foram abordados em uma praça, no Ipem São Cristóvão, quando estavam planejando atear fogo em coletivos na cidade. Em poder deles, a polícia encontrou dois galões com gasolina.
Ainda de acordo com as informações de Bardal, os maiores foram autuados em flagrante pelos crimes de organização criminosa e incêndio criminoso, enquanto aos menores, foi lavrado um auto de infração e em seguida, o caso foi encaminhado para o Ministério Público e os adolescentes para o Centro de Juventude Cannã, no Vinhais, órgão, ligado à Fundação da Criança e do Adolescente (Funac).
Assessoria do Governo do Estado informou que somente no primeiro semestre deste ano foram feitos 1.375 atendimentos nas unidades de ressocialização da Funac. Todo o ano passado foram 1.849 e 1.490 em 2014.
Menores no crime
Já a delegada titular da Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), Hirana Cláudia Monteiro, diz que é marcante a presença de adolescentes no mundo da criminalidade, principalmente os com idade de 13 a 16 anos. Na capital, esses menores se envolvem, na maioria das vezes, com roubo a coletivos, transeuntes e estabelecimentos comerciais.
Nessa delegacia especializada, somente este ano, foram instaurados 319 inquéritos policiais sobre o crime de roubo cometido por adolescentes. Em segundo lugar vem o crime de tráfico de entorpecentes e logo após o de receptação. “Muitos maiores roubam veículos, entre eles motos, e entregam aos menores para serem utilizadas em outras ações criminosas”, disse a delegada.
Ainda segundo Hirana Cláudia, o outro tipo de crime que está sendo realizado por adolescentes é o de informática dentro das escolas. Eles ameaçam de morte as colegas para conseguirem fotos despidas delas que são disponibilizadas nas redes sociais, até mesmo do WhatsApp.
Para a delegada Hirana Cláudia, o adolescente entra para o mundo do crime devido a um conjunto de fatores, inclusive a ausência de uma educação de base. Há muitos jovens em idade do ensino fundamental que não sabem ler e escrever, além da evasão escolar na idade de 13 a 14 anos. O outro fator é a presença de uma família desestruturada, pois muitos dos menores infratores não foram assistidos pelos pais.
A delegada afirmou ainda que as sanções impostas pelo ECA tinham de ser menos brandas com os adolescentes e que nas unidades de ressocialização da Funac deveria haver oficinas profissionalizantes destinadas aos internos para que quando saísse de sua internação já estariam preparados para o mercado de trabalho.
Números
32
É o número de adolescente que foram apreendidos nestas últimas duas semanas pela polícia acusadas de terem cometidos ataques a escolas e veículos
22
Foi o número de veículos e 12 escolas que foram alvo de ataques criminosos na Região Metropolitana de São Luís nas últimas duas semanas
frase
“Para o código penal, o menor de 18 anos possui desenvolvimento mental incompleto, então, não pratica crime”.
Thiago Bardal, delegado titular Seic

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