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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Em defesa da manutenção do Dia das Mães,

A solução para não machucar os sentimentos daqueles que não tem mãe, segunda essa lógica, é acabar com o Dia das Mães e criar o Dia da Família.

Por Jessé Mineiro Defensor público em Barra Do Corda
                              Em defesa da manutenção do Dia das Mães 

Um movimento que vem ganhando força nos últimos anos é que sejam acabadas as comemorações do Dia das Mães com a criação do Dia da Família.
Os motivos alegados são vários, mas, no texto Acabem com o tormento das festas de dia das mães da escola do Estadão, os motivos estão resumidos:
"Mas eu preciso te contar uma coisa: enquanto eu, você e nossas mães nos sentíamos radiantes durante essa comemoração, muitas outras crianças se sentiam miseráveis. Eu não me esqueço como uma amiguinha, a Daniela, ficava sempre tensa quando chegava esse dia. A mãe dela quase nunca conseguia comparecer a essas celebrações. Era “desquitada”, como se dizia naquela época, ex-marido não queria saber da família e, por isso, trabalhava dobrado para sustentar os filhos. No dia da tal festa, o chefe não queria nem saber de liberá-la por algumas horinhas. Lembro da gente pequena, flores na mão, esperando as mães entrarem na sala de aula para uma dessas festinhas. A Daniela dizia, baixinho “se ela não vier, eu não vou perdoar, se ela não vier, não vou perdoar”. A mãe só apareceu lá pelo meio da apresentação, muito atrasada e com cara de ‘desculpa, filha’. Minha amiga já estava magoadíssima, inchada depois de verter lágrimas silenciosas para não atrapalhar a música que os colegas, alheios ao seu sofrimento, cantavam a plenos pulmões. Havia uma menina órfã de pai na mesma sala. Os pais tinham mais dificuldade em aparecer nas tais festas, e isso era considerado, mas sempre que a data chegava ela sofria ao explicar para todo mundo que o pai tinha morrido quando ela ainda era um bebê e, por isso, aquele homem tão velhinho fazendo o papel de pai nas festas era, na verdade, o avô."....

Refutarei os argumentos acima.
Minha mãe, que se chamava Rosa Maria Mineiro de Abreu, faleceu quando eu tinha dois anos de idade, e fui criado pelos meus avós e tia.
A autora do texto diz “ muitas outras crianças se sentiam miseráveis”. Eu nunca me senti “miserável” ao ver meus coleguinhas comemorando e homenageando as mães. Minha família e minha professora (Querida Tia Cruizinha) sempre me explicaram que minha mãe estava no céu, olhando por mim, e que os coleguinhas tinham as mães deles. Mas uma coisa que me explicaram e que me marcou é que, independentemente dela ter morrido, ela que era minha mãe.
Assim, todas as vezes que havia Dia das Mães eu fazia os trabalhos e participava de tudo, sabendo que eu tinha mãe, mas estava no céu.
E essa presença me acompanhou por toda a vida, de forma que a minha primeira filha hoje carrega o mesmo nome, chamando-se Rosa Maria Lima Mineiro de Abreu.
Esse sentimento que a autora atribui aos órfãos – de se sentir miserável – creio não corresponder Totalmente à realidade. Pelo menos pra mim que fui criado por vó, não olvidando, logicamente, que existam crianças em situações difíceis, inclusive vivendo em orfanatos.
Em seguida, a autora fala de uma suposta “amiguinha Daniele” que, ficava “tensa” porque a mãe, “desquitada”, chegava atrasada por estar trabalhando. Fico imaginando que tipo de pessoa mimada essa “amiguinha” se tornou, pois, a mãe - guerreira - deveria ser mais homenageada e não massacrada pela filha.
A solução para não machucar os sentimentos daqueles que não tem mãe, segunda essa lógica, é acabar com o Dia das Mães (e dos Pais) e criar o Dia da Família, para incluir os demais membros da família.
A criação do Dia da Família é muito válida e importante, mas de forma a incluir outros membros da família, mas não vejo com bons olhos acabar com as comemorações específica das Mães e Pais.
Acabar com a comemoração dessas datas importantes com o intuito de não “machucar o sentimento” dá a falsa lição à criança que o mundo gira ao seu redor, o que não é realidade.
E a criação que se dá para essa geração – mimada – de que o mundo lhe deve favores e gira ao seu redor, talvez seja grande responsável pela degradação que vemos hoje.
A lição que devemos passar aos nosso filhos é que existe um mundo - que não é fácil e não gira ao nosso redor – e que apenas com garra e luta podemos conseguir nossos objetivos, e não apenas com “mimimi” e reclamações e injustiças, como a “amiguinha Daniele” do texto acima, mimada que não honra a própria mãe.

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