terça-feira, 6 de novembro de 2018

Racismo sofrido por atleta maranhense de handebol repercute na internet

O técnico do Barbosa de Godóis Handebol (BGH/MARANHÃO) se manifestou em redes sociais nas últimas horas para repercutir o caso de racismo sofrido pela ex-atleta do time maranhense, Gilvana Mendes Nogueira.
A jovem de 20 anos foi chamada de “macaca” por um torcedor durante partida entre as equipes de Blumenau x Unip/São Bernardo válida pelas oitavas de final da Liga Nacional de Handebol Feminina, que aconteceu no dia 27 de outubro, em Santa Catarina. A atleta foi contratada pela equipe do São Bernardo no início do ano e vem se destacando nas competições.
“Sim, Gilvana é negra, e daí? Seria tudo normal se a mesma não tivesse sofrido ofensas pelo simples fato de ser negra. O único pecado que ela cometeu foi se destacar na partida com suas habilidades, fazendo a diferença no time. Um torcedor do time adversário, não se conformando com o que via, proferiu palavras ofensivas a ela como, ‘macaca’, ‘volta pra senzala que lá que é teu lugar’. Sim, isto é Brasil!”, disse indignado o técnico Eduardo Telles.
A denúncia de racismo acontece no ano em que é lembrado os 130 anos da abolição da escravatura. A Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel enquanto regente do trono, em 13 de maio de 1888, decretou o fim de todas as atividades escravistas do Brasil. Já no mês de novembro é celebrado dia 20 o Dia da Consciência Negra. A data é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira e também foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Ele foi um dos pioneiros da resistência contra a escravidão e o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial...

“A ofensa não é apenas contra os negros, a ofensa não é apenas contra a UNIP, a ofensa não é apenas contra quem tem negros na família, a ofensa é contra todos que não toleram esse ato de quem julga-se superior pela tonalidade da cor da pele, ou até quem julga que o outro é inferior porque o tom da pele dele não é bom o bastante para você”, afirmou em seu perfil pessoal no Instagram a também atleta Hannah Nunes, a publicação da atleta foi compartilhada no perfil oficial da equipe de handebol feminino de São Bernardo do Campo/SP.
A Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (Sedel) também manifestou profunda indignação com o ataque racista sofrido pela atleta de handebol. Repudiou “qualquer tipo de atitude que vá contra o ser humano, independente de gênero, raça ou opção sexual”. Garantiu que o “esporte é uma ferramenta inclusiva” e se solidarizou com a atleta, bem como todos que tem sofrido algum tipo de constrangimento e discriminação.

Veja abaixo a nota da Confederação Brasileira de Handebol:
A CBHb vem por meio desta afirmar que já está apurando os fatos a respeito das ofensas racistas por parte de torcedores contra jogadoras do time visitante, no jogo entre as equipes de Blumenau x Unip/São Bernardo. A partida que ocorreu no último dia 27 de outubro em Santa Catarina foi pelas oitavas de final da Liga Nacional de Handebol Feminina. A CBHb reitera que repudia todo e qualquer ato de racismo e que levará ao conhecimento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para as devidas providências cabíveis dentro do que rege as leis esportivas.

MA.10

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