Polícia do Rio diz que são 119 mortos em megaoperação; MP fala em 132.

De acordo com a Polícia Civil, estão sendo contabilizados até o momento os corpos que estão no Instituto Médico-Legal (IML) do Rio.

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As forças de segurança do Rio de Janeiro informaram, no começo da tarde desta quarta-feira (29/10), que são 119 mortos na megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha contra o Comando Vermelho. Destes, quatro são policiais — dois civis e dois militares — e “115 narcoterroristas”, segundo o secretário da Polícia Civil, o delegado Felipe Curi. Esta é a operação mais letal da história do estado.

De acordo com as forças de segurança do Rio, os corpos contabilizados até o momento são os que estão no Instituto Médico-Legal (IML). Mais cedo, o Ministério Público do Rio de Janeiro havia informado que a operação deixeou 132 mortos.

Ao todo, 113 suspeitos foram presos, sendo 33 de outros estados, e 10 adolescentes, apreendidos. Os policiais apreenderam, durante a operação, mais de 100 fuzis.

Um dia após a megaoperação, nesta madrugada de quarta, moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, levaram ao menos 72 corpos para a Praça São Lucas, no interior da comunidade.

Segundo relatos, os cadáveres foram encontrados na área de mata localizada entre os complexos do Alemão e da Penha, onde, na terça-feira (28), foi realizada a maior e mais letal operação policial da história do estado.

Alguns dos mortos vestiam roupas camufladas (“de guerra“), normalmente usadas por soldados do CV, facção alvo da ação.

Testemunhas afirmam que alguns corpos apresentam marcas de tiros, perfurações por faca nas costas e ferimentos nas pernas. Enfileirados no centro da praça, os mortos foram cercados por familiares e amigos que tentavam fazer o reconhecimento diante da ausência de informações oficiais.

Escalada de guerra urbana

A megaoperação, que mobilizou 2,5 mil policiais civis e militares, escancarou a intensificação do confronto entre o Estado e o Comando Vermelho (CV). Investigadores afirmam que a facção opera com poder de fogo capaz de enfrentar tropas de elite de forma prolongada e coordenada.

Pela primeira vez em uma ação dessa dimensão no Rio, criminosos utilizaram drones adaptados para lançar explosivos contra equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). A tática, segundo policiais, permitiu monitorar o deslocamento das equipes em tempo real e atingir pontos estratégicos do cerco montado pelo Estado.

No total, mais de 90 armas foram apreendidas, incluindo fuzis de guerra, grande quantidade de munição e explosivos. Também foram recolhidos rádios comunicadores e 200 kg de drogas.

Quem eram os policiais do Bope mortos em Megaoperação no Rio de Janeiro

Foram 64 mortes confirmadas até o momento, 60 são criminosos, dois são policiais civis e dois são policiais do Bope.

Ana Julia Bertolaccini, da CNN Brasil*, Adriana De Luca, da CNN Brasil, em São Paulo.

A megaoperação da Polícia do Rio de Janeiro no Complexo do Alemão, que aconteceu nesta terça-feira (28), deixou 64 mortos. São 60 criminosos, dois policiais civis e dois policiais militares do Bope entre as vítimas. Até a última atualização, 81 pessoas já tinham sido presas.

De acordo com a Secretaria de Estado de Polícia Militar, os policiais mortos foram identificados como Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca, ambos lotados no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE).

Os militares foram feridos durante a Megaoperação de Contenção, realizada nesta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha. Os policiais chegaram a ser socorridos e encaminhados ao Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiram aos ferimentos.

O sargento Serafim tinha 42 anos e ingressou na Corporação em 2008. Ele deixa esposa e uma filha. O sargento Heber tinha 39 anos e ingressou na Corporação em 2011. Ele deixa esposa, dois filhos e um enteado.

Até o momento, não há confirmação sobre o horário e o local do sepultamento dos militares.

A ação faz parte de uma iniciativa do Governo do Estado para combater a expansão territorial do CV (Comando Vermelho) e prender lideranças criminosas que atuam no Rio e em outros estados.

Os policiais tentam cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes do CV — entre os alvos, 30 são de outros estados, com destaque para membros da facção no Pará, que estariam escondidos nessas regiões.

Três moradores vítimas de bala perdida foram socorridos ao Hospital Getúlio Vargas. Entre elas, uma mulher foi atingida de raspão enquanto estava na academia e já recebeu alta.

Um policial do Bope foi baleado de raspão na perna durante uma incursão na área de mata do Complexo do Alemão. De acordo com o comando da unidade, o agente foi ferido durante troca de tiros e foi socorrido ao Hospital Central da Corporação no bairro do Estácio. Ele não corre risco de morte.

Entre os presos na ação está um suspeito apontado como operador financeiro de Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca” ou “Urso”, um dos chefes do Comando Vermelho. A polícia também apreendeu dez fuzis, uma pistola, três celulares e nove motos.

 

Quem eram os policiais civis mortos em megaoperação no RJ

Familiares e colegas prestaram homenagens aos policiais civis Marcus Vinícius e Rodrigo Cabral, mortos durante a megaoperação que deixou 64 mortos no Rio.

Bruna Lopes, da CNN Brasil.

Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51, e Rodrigo Velloso Cabral, 34, foram mortos durante Operação Contenção no RJ  • Reprodução/Redes

Uma megaoperação contra o CV (Comando Vermelho) nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), resultou na morte de 64 pessoas, sendo 60 de suspeitos e 4 policiais, entre eles dois policiais civis e dois policiais militares do BOPE. Até a última atualização, 81 pessoas foram presas.

O número de mortes é mais que o dobro da então mais letal operação policial do Rio, que ocorreu em maio de 2021, com 28 mortos no Jacarezinho.

De acordo com a Polícia Civil, Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho e Rodrigo Velloso Cabral estão entre as vítimas fatais da Operação Contenção. A entidade afirmou ainda que os ataques aos policiais não ficaram impunes.

Marcus Vinícius, também conhecido como Máskara, tinha 51 anos e era chefe do 53 DP (Mesquita). O agente havia sido promovido há poucos dias.

O velório do policial ocorre na manhã desta quarta-feira (29) a partir das 8h, na capela C e o sepultamento será às 13h30, no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador (RJ).

Rodrigo Cabral, tinha 34 anos, era inspetor de polícia e atuava na 39DP (Campo Grande). Cabral tinha acabado de se formar e atuava na Polícia Cívil há apenas dois meses.

Era casado há 17 anos e deixa uma filha. Em uma publicação nas redes sociais, a esposa de Rodrigo prestou homenagem ao marido e lamentou sua morte.

“Hoje, a dor da sua ausência é imensurável e nos rasga a alma, mas preciso encontrar forças para te dizer adeus e honrar a memória de quem você foi: um herói em sua profissão e um gigante em nossa vida… Sua dedicação como Policial Civil era a prova do seu coração corajoso. Você partiu cumprindo sua missão de proteger a sociedade, e isso é um legado de bravura que jamais será esquecido. Você era um homem de princípios, de fibra e de uma coragem que inspirava a todos.”

O velório do policial tem ínicio previsto às 14h, na capela 7 e o sepultamento às 16h, no Cemitério Memorial do Rio, localizado na rua Francisco de Souza e Melo, em Cordovil (RJ).

Marcus Vinícius, também conhecido como Máskara, tinha 51 anos e era chefe do 53 DP (Mesquita). O agente havia sido promovido há poucos dias.

O velório do policial ocorre na manhã desta quarta-feira (29) a partir das 8h, na capela C e o sepultamento será às 13h30, no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador (RJ).

Rodrigo Cabral, tinha 34 anos, era inspetor de polícia e atuava na 39DP (Campo Grande). Cabral tinha acabado de se formar e atuava na Polícia Civil há apenas dois meses.

Era casado há 17 anos e deixa uma filha. Em uma publicação nas redes sociais, a esposa de Rodrigo prestou homenagem ao marido e lamentou sua morte.

“Hoje, a dor da sua ausência é imensurável e nos rasga a alma, mas preciso encontrar forças para te dizer adeus e honrar a memória de quem você foi: um herói em sua profissão e um gigante em nossa vida… Sua dedicação como Policial Civil era a prova do seu coração corajoso. Você partiu cumprindo sua missão de proteger a sociedade, e isso é um legado de bravura que jamais será esquecido. Você era um homem de princípios, de fibra e de uma coragem que inspirava a todos.”

Moradores retiram cerca de 60 corpos em área de mata após operação

Comunidade diz que eles não fazem parte da contagem oficial.

Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil

Cerca de 60 corpos foram localizados e retirados de uma área de mata do Complexo da Penha por moradores, após a Operação Contenção realizada pelas forças de segurança do estado, nessa terça-feira (28). Os corpos foram reunidos na Praça São Lucas, no centro da comunidade, e de acordo com os moradores, não fazem parte da contagem oficial de 64 mortos – 60 suspeitos e 4 policiais. A Polícia Militar foi procurada, mas ainda não se pronunciou. 

O ativista Raul Santiago, morador do complexo, fez uma transmissão ao vivo e denunciou a  “chacina que entra para a história do Rio de Janeiro, do Brasil e marca com muita tristeza a realidade do país.” 

A pedido dos familiares, os corpos foram expostos para registro da imprensa e, depois, foram cobertos com lençóis. A comunidade aguarda a retirada dos corpos pelo Instituto Médico-Legal.

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após ação policial da Operação Contenção. Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil
Dezenas de corpos foram trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após ação policial da Operação Contenção. Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil

Se eles realmente estiverem fora das 64 vítimas contabilizadas ontem, o número total de mortos da operação mais letal já realizada pelas forças de segurança do Rio, pode chegar a 120. Durante a noite, mais seis corpos encontrados em área de mata no Complexo do Alemão foram levados para o Hospital Getúlio Vargas.

O Corpo de Bombeiros já começou a retirar os corpos no Complexo da Penha. Ainda há incerteza sobre o número total de mortos na ação, que está sendo considerada pelo governo do estado como “a maior operação da história do Rio de Janeiro”. A contagem oficial na terça-feira foi de 64 óbitos, sendo 60 suspeitos e 4 policiais. Isso já caracteriza a ação como a mais letal.

No entanto, seis corpos encontrados por moradores no Complexo do Alemão foram levados para o Hospital Getúlio Vargas durante a noite, além dos 60 localizados na Penha durante a madrugada e manhã de hoje. Caso não haja duplicidade, a conta pode chegar a 130 mortos.

Terça-feira

Moradores do Rio de Janeiro viveram momentos de pânico e medo na terça-feira (28) diante da operação policial nos Complexos da Penha e do Alemão. Milhares enfrentaram dificuldades para conseguir chegar em casa devido aos bloqueios das vias da cidade, além de terem de fugir dos tiroteios.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil criticaram a ação que gerou um grande impacto na capital fluminense e não atingiu o objetivo de conter o crime organizado. Para a professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz, a operação foi amadora e uma “lambança político-operacional”.

Movimentos populares e de favelas também criticaram as ações policiais e afirmaram que “segurança não se faz com sangue”.

O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, defendeu as ações da polícia afirmando que se for necessário vai exceder os limites e as competências do governo estadual para manter “a nossa missão de servir e proteger nosso povo”. Ele cobrou mais apoio do governo federal. Na noite desta terça, ele solicitou a transferência de 10 detentos presos em penitenciárias do Rio para presídios federais.

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou ontem, em coletiva à imprensa, que não recebeu pedido do governador para apoio à megaoperação.

 

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil